Renan Soares
Da periferia de Parelheiros, em São Paulo, iniciou os estudos em arte na cidade de Pelotas, RS, onde viveu durante oito anos. Atualmente, reside no Rio de Janeiro, onde é doutorando em artes visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua produção investiga como possíveis tensionamentos sobre a noção de sombra permitem discutir questões micropolíticas a partir da produção em arte contemporânea. Recorre a um procedimento importante dentro da história da arte, que é tomar a sombra e a luz como articuladores da construção de visualidade para criar objetos, esculturas, instalações e performances que tangenciam nossa percepção sobre o corpo e o espaço. Busca propor metáforas sobre o modo como percebemos o mundo e como as relações sociais atravessam nosso imaginário ligado à sombra.
A exposição Grande noite aborda os processos de apagamento e a construção do “corpo perigoso” no contexto urbano, reunindo obras tridimensionais: o site specific Blackout e a série Levada, que utilizam materiais da cidade (como poste de iluminação pública e grades de portões). A mostra tem como principais referências o poema de Aleixo, que aborda o corpo negro e sua experiência no espaço urbano. A ideia de incorporar a sombra como estratégia para modular a visibilidade de um corpo na cidade, contida no poema de Aleixo é um pensamento em voga nesta proposta de exposição. Ao mesmo tempo, o filme Sete anos em maio, de Affonso Uchoa, que narra uma experiência marginal sob a luz de uma fogueira em um cenário marcado por uma subestação elétrica, apresenta uma forte contraposição entre luz e sombra, que cria uma fotografia dramática, barroca, para refletir sobre as vivências periféricas literalmente dentro da escuridão. E o ensaio Sair da grande noite, de Achille Mbembe, em que o filósofo apresenta uma perspectiva sobre a descolonização no continente africano, orienta também, num sentido poético o que vem a constituir a escuridão que recobre determinados corpos e ideias.
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