Marie Ange Bordas

Porto Alegre/Brasil, 1970

  • Detalhe de Percursos/Vestígios (2000)
    16 caixas de luz e uma videoinstalação
  • Detalhe de Percursos/Vestígios (2000)
    16 caixas de luz e uma videoinstalação
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Marie Ange Bordas

Artista multimídia, pesquisadora, educadora e mestra em imagem e som pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), possui especialização no International Center of Photography em Nova York como bolsista Capes/APARTES e em refugee studies pela Universidade de East London, na Inglaterra. Seu trabalho foi apresentado em diversas exposições individuais e coletivas no Brasil, Costa Rica, Venezuela, Estados Unidos, França, Espanha, Holanda, Portugal, Polônia e Mali. Participou de residências artísticas internacionais e coordenou projetos artísticos e educativos na Colômbia, Grã-Bretanha, Quênia, Áustria, África do Sul, Etiópia, República Checa e Sri Lanka. 

O teatro da memória

Arlindo Machado

As artes da iluminação e da projeção nasceram há cerca de quatro séculos, com os teatros de luz de Giovanni delIa Porta e a lanterna mágica de Athanasius Kircher, embora já pudessem ser vislumbradas nas imagens transparentes e auto-iluminadas dos mosaicos bizantinos. O cinema não é senão o interregno mais conhecido dentro dessa longa história. Mas foram os artistas que souberam extrair todas as consequências do fenômeno do transporte da imagem através da luz e da dissolução de sua materialidade em pura energia e evocação. A natureza fantasmática da imagem projetada e as associações imaginárias deflagradas pelas imagens transparentes, as imagens atravessadas pela luz, possibilitaram à arte reconciliar a nossa produção iconográfica com as imagens mentais, o nosso "cinema interior". 

No trabalho de Marie Ange Bordas, projeções e iluminações representam uma oportunidade para a artista evocar o imaginário, seja o dela própria, seja o do visitante ou o coletivo.

Ao entrar no ambiente obscurecido de Percursos/Vestígios, as únicas coisas perceptíveis para o espectador são as imagens transparentes e auto-iluminadas, que parecem flutuar no espaço vazio, sem corpo e sem peso, desafiando a lei da gravidade. Mas não se tratam de imagens facilmente reconhecíveis como réplicas do mundo visível. Essas imagens remetem mais ao interior, no duplo sentido do termo: muitas delas são radiografias de nossas próprias entranhas, outras evocações de nossas lembranças e imagens mentais. Mais que reeditar o dispositivo cinematográfico da projeção, o que de fato busca Bordas é construir a metáfora poética de outra projeção, aquela que se passa dentro de nós: a projeção imaginária da memória.

Marie Ange Bordas foi artista convidada para a Temporada de Projetos 2000
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