• Entre o Céu e a Terra, Bolhas (2013), instalação de Rodrigo Sassi
  • Entre o Céu e a Terra, Bolhas (2013), instalação de Rodrigo Sassi
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Rodrigo Sassi

Rodrigo Scotto Sassi é graduado em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP, 2006). Participou do grupo de pesquisa Arte e meios tecnológicos, na Faculdade Santa Marcelina (FASM) entre 2006 e 2008. Seu portfólio inclui exposições individuais como Mirante, no Museu de Arte de Goiânia (GO, 2012), Ponto para fuga, no Museu de Arte Moderna de Recife (PE, 2012), entre outras. O artista participa também de mostras coletivas como a XI Bienal do recôncavo (BA, 2012), Artes e Ofícios, no Liceu de Artes e Ofícios (SP, 2012), 10º Salão Elke Hering, no Museu de Arte de Blumenal (SC, 2012), entre outras. 

Rodrigo Sassi: ensaios de textos sobre Entre o Céu e a Terra: bolhas, 2013

Thais Rivitti

Texto para catálogo, texto para o site, texto para exposição, texto de parede, textos. “Há um excesso de discurso em torno da obra de arte contemporânea”, ouvi outro dia em uma palestra. Anotações par o texto: Não circunscrever. Não interpretar. Não traduzir. Ficar ali, junto, não sair do tom.

Descrever

Pegar pedaços de madeira. Cortá-los, lixá-los. Pregar uns nos outros, procurando as junções mais retas, buscando o melhor encaixe. Ir emendando uma na outra, formando um caminho mais ou menos longo e bem cheio de curvas. Um desenho no espaço, com uma linha grossa, dupla, pesada. Construir um trilho fora do chão. Dentro e fora são iguais. Entra por um lado, sai pelo outro. Gira em círculos – ou elipses – sem sair do lugar. Há espaços entre os pedaços soltos, lacunas que exigem saltos. Cuidado para não cair. Não pode encostar no chão, se não a estrutura toda quebra. Tem que saltar, pegar impulso e ir. Às vezes mais rápido, às vezes mais devagar. Mais devagar por causa do cimento. Ele ficou preso dentro do trilho. Acumulou ali, secou e não vai mais sair. Ele é pesado e grosso. Meio encrespado, sua superfície causa mais atrito e diminui-se a velocidade.

Narrar

– Olha lá aquilo... Não está pronto, estão construindo, ainda. Não vê? A madeira, ó lá, precisa pintar direito, assim não dá. Como será que vai ficar? E para que serve? É um brinquedo? É uma maquete? Parece uma estrutura de... De um lustre gigante. É isso: para mim, é um lustre gigante. Não sabem mais o inventar. Mas, bem, não está pronto. Quem sabe depois... Ou talvez não. Talvez nunca terminem. Esses cabos de aço que prendem no teto. Isso é um perigo. Depois cai na cabeça de alguém quero ver. Outro dia estava vendo uma matéria no jornal, a menina, coitada... Essa cidade parece um canteiro de obras. Tem que tomar cuidado: olhar bem para baixo e para cima.

Ensaiar poesia

Bruto e delicado
Bastante mal acabado
Pende do teto, desce, desvia
Como um polvo
uma enguia
ou um corvo
quem saberia?

E finalmente terminar, sem trapacear, nos limites estritos do “não discursar”.


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