Bruno Vieira

Recife/Pernambuco, 1976

  • Desaparecidos/Missings (2003/2004)
    159 cartazes de fotografias  
  • Desaparecidos/Missings (2003/2004) 
    Fotografias da intervenção na cidade de Bombaim - India
  • Desaparecidos/Missings (2003/2004)
    Imagens do vídeo na Times Square/NY
  • Ninguém está a salvo (2004)
    vídeo 2'39''
  • Invasões (2004)
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Bruno Vieira

A obra de Bruno Vieira opera com o vocabulário da rotina urbana e vai além do espaço expositivo. A série Desaparecidos é constituída de vários cartazes com fotos de pessoas de costas com o primeiro nome indicado. São nomes que remetem à história da arte, basta telefonar para o número que consta abaixo dos retratos para saber mais. Em 2009, participou do coletivo Mini em Marte, com exposição na Galeria Marte Upmarket, em Montevidéu, e fez a individual Obrigação do horizonte, na Galeria Mariana Moura, em Recife. Possui obras em coleções como Instituto Cultural Banco Real, em Recife.

Proposta de um encontro às cegas

Juliana Monachesi

Quem for à exposição de Bruno Vieira, no Paço das Artes, não vai encontrar trabalho algum dele. Os encontros com a produção do artista não se dão com hora marcada: costumam ser fortuitos, casuais, e, às vezes, passar despercebidos. Você não visita uma obra de Vieira, é a obra que visita você. Você não assimila uma obra dele, é contaminado por ela sem nem perceber. Todas as peças expostas no Paço foram concebidas para outros meios e têm uma ligação orgânica com estes meios. Daí não serem, nas palavras do artista, mais que cópias pálidas do trabalho em si.

Originalmente uma ação pensada para a Internet, a série Desaparecidos é constituída de vários cartazes com fotografias e números de telefone. Como em trabalhos anteriores, Vieira opera aqui com o vocabulário da rotina urbana, embaralhando seus elementos de forma a desrotinizar a leitura que as pessoas fazem da cidade. Todos os "Desaparecidos" são apresentados de costas e consta sempre apenas o primeiro nome de cada um. Pablo, Auguste, Toulouse, José, Mira, Anita, Iberê. Para quem não fizer a ligação imediata com a história da arte, o número para informações termina de dar o recado.

Uma longa lista de destinatários de e-mails recebia regularmente, em meados de 2003, alguns cartazes por semana, até que se constituía na memória (do computador e/ou da pessoa) um número assustador de pessoas desaparecidas, um acúmulo de nucas, nomes e datas a provar a força do tempo e da história. As mensagens eletrônicas vinham sem maiores esclarecimentos e podiam ser "lidas" das mais diferentes maneiras, como brincadeiras de mau gosto ou um elaborado acerto de contas. Enquanto isto, levado a cabo por mais de um ano, o projeto ia ganhando notoriedade em todo o país.

Artista aclimatado à "aldeia global", acostumado a chegar aos lugares precedidos por sua obra, Vieira desfruta confortavelmente da outra máxima de MacLuhan, "o meio é a mensagem". Desaparecidos e o vídeo Ninguém  está a salvo... poderiam ter outro conteúdo qualquer, mas, independente daquilo sobre o quê falam, são instrumentos de distúrbio eletrônico, porque foram concebidos para invadir caixas postais e circular de forma endêmica.

No caso da série Invasões, de novo o "meio" primeiro em que o trabalho se desenvolveu é outro (e alheio ao espaço asséptico da instituição de arte): trata-se de uma intervenção urbana, cujos efeitos de contaminação do entorno nos escapam ao vermos a sequencia no museu. As cenas, captadas por webcam, de Ninguém está a salvo... em princípio seriam devolvidas a seu meio, competindo com a oferta de imagens da Internet. A gestualidade frenética do artista remete-nos ao contato desorganizado com o turbilhão de informações que invade a vida pela tela (seja da TV ou  do computador), e, no contato fugaz com o vídeo, escapa-nos o quanto naqueles gestos há de um elegante balé com as ideias. 
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