Manoel Veiga

Recife/Pernambuco, 1966

  • Detalhe de Sem título (2002)
    acrílico sobre tela
  • Detalhe de Sem título (2002)
    acrílico sobre tela
  • Detalhe de Sem título (2002)
    acrílico sobre tela
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Manoel Veiga

Gradua-se em Engenharia Eletrônica pela UFPE (1989), tendo sido bolsista do Depto. de Física por 3 anos. Trabalha em fábrica até dedicar-se às Artes Plásticas (1994). Freqeenta a Escolinha de Arte do Recife (1994-95) e trabalha sob a orientação de Gil Vicente (1995-97). Estuda na Escola Nacional Superior de Belas-Artes e na Escola do Louvre em Paris, França (1997). Participa de workshop em Nova York (1998). Em São Paulo, estuda História da Arte com Rodrigo Naves (1999), Leon Kossovitch (2000/01) e desenvolve estudos teóricos com Carlos Fajardo (1999-2002) e com Nuno Ramos (2000).

Evanecências

Guy Amado

É no campo da abstração que transcorre a pesquisa pictórica de Manoel Veiga, configurando uma trajetória que parece ter alcançado, na presente produção, uma qualidade de originalidade que reafirma o grau de experimentação em sua prática. 

O artista chega a uma solução pictórica em que se vale de um processo prosaico e peculiar, por via do qual elabora suas composições atacando o suporte diretamente sobre o plano do chão. Tal decisão constitui um artifício para anular a ação da gravidade, permitindo assim que a refinada solução de pigmentos de acrílica - previamente preparada e que Veiga "conduz" aplicando borrifos d'água - se disperse por difusão sobre a tela, avançando sobre a mesma de maneira incerta, quase aleatória. O artista passa, portanto, a operar com pouco controle sobre o resultado final, numa situação de "acaso controlado". Um fator de risco, talvez, mas que reserva a possibilidade de se obterem composições de imprevisível beleza: a emulsão evanesce e sedimenta-se contra o campo branco da tela, só então revelando o que se configura como a obra acabada. A noção de fluidez, que já se apresentava como recorrente na poética de Veiga, é agora investida de uma interpretação quase literal. 

São peças que parecem investidas de uma qualidade estranha à noção convencional de pintura, assemelhando-se a monotipias artificiais de etérea presença, por vezes aludindo à fria sofisticação de imagens digitais. Evocam uma cartografia onírica, de padrões e gradientes imprecisos; e a incidência, aqui e ali, de estruturas semelhantes a fractais aproxima sua fatura de uma abordagem pelo viés de aspectos da física - especialmente a mecânica quântica -, interesse constante do artista. Um dado que adquire relevância quando pensado como elemento potencializador de leituras sobre a produção de Manoel Veiga: suas telas passam a ser compreendidas como estruturas dinâmicas, sistemas instáveis e de incerta harmonia, onde a ação semi-aleatória dos elementos desencadeia uma quieta reflexão sobre a temporalidade e o registro da própria fatura.

* Manoel Veiga foi artista convidado para a Temporada de Projetos 2003
  • Realização: