Luciano Mariussi

Tupãssi/PR, 1974

  • Entre (2002)
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Luciano Mariussi

A pesquisa artística de Luciano Mariussi une arte e tecnologia, revelando um estranhamento do homem diante das novas tecnologias e questionando a própria arte. Na videoinstalação Entre, o artista mescla as linguagens cinematográfica e teatral. São quatro imagens projetadas de pessoas em tamanho natural que conversam com o visitante e o insultam. Em 2005, realizou o projeto Entre gritando “eu sei o que é arte contemporânea” e ganhe desconto de R$ 2, no 29º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. 

Entre?

Daniela Maura Ribeiro

Qual é a melhor maneira de questionar a arte contemporânea, senão utilizando ela própria? É isso que o paranaense Luciano Mariussi vem fazendo nos últimos anos, valendo-se do vídeo como fonte desencadeadora desse questionamento. Dentro desse contexto, entre 1999 e 2002, realizou os vídeos Jogo para jogador inepto, Não entendo e Estética.

Na presente videoinstalação – Entre (2002) – Mariussi mescla linguagens, como a cinematográfica e teatral. É o artista quem dirige a cena, emprestando o papel do diretor de cinema, embora o roteiro tenha sido criado em conjunto com os atores, colaboradores do projeto de Luciano. Nessa proposta, Mariussi também investe em trazer à tona alguns temas que rondam a arte atual, como, para citar um exemplo, o lugar do artista contemporâneo: quem ele é, qual á a sua função e que papel deve desempenhar.

Ao entrar na sala da videoinstalação Entre, o público depara-se com quatro imagens de pessoas em tamanho natural, projetadas uma em cada parede. Essas pessoas (atores) conversam com quem está na sala em tom hostil. Indagam, por exemplo: “O que você está fazendo aqui?” Ou dizem coisas do tipo: “Isto não é lugar para você! Isto aqui é arte!”

Com esses insultos, Mariussi desperta na espectador duas reações possíveis: repulsa imediata ou atração provocada pela curiosidade e indignação, fazendo com que o visitante hesite quanto a entrar ou não. E mais: Luciano motiva o espectador a se perguntar o que faz em um espaço no qual, teoricamente, não está autorizado a entrar. A ideia central de Entre reside justamente em perscrutar como se dá a relação entre o visitante e o espaço de arte, em tese, proibido.

Como escreve Thomas McEvilley, no livro "No interior do cubo branco", de Brian O’Doherty: “Nas galerias modernistas típicas”- assim como nas contemporâneas, vale complementar -, “como nas igrejas, não se fala no tom normal de voz; não se ri, não se come, não se bebe, não se deita, nem se dorme; não se fica doente, não se enlouquece, não se canta, não se dança, não se faz amor”.

O próprio O’Doherty questiona-se, logo nos capítulos iniciais desse livro, sobre: “Quem é o Espectador, também chamado de visitante, às vezes chamado de Observador, ocasionalmente de Percebedor?”. E reflete sobre o seu comportamento diante de uma obra de arte: “Ele se inclina e pondera; é um pouco inábil. Seu comportamento indagativo; sua perplexidade, prudente”.

Postas essas questões, cabe ressaltar que, com Entre, Luciano Mariussi coloca em jogo as discussões mais cruciais ao redor das funções, do uso e do lugar da arte contemporânea. Discussões que não cessam, apenas crescem e ainda carecem de reflexões.
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