João Carlos de Souza

Santo André/SP, 1964

  • Detalhe de Esculpindo o espaço azul (2002)
    instalação com fio de algodão dourado e espaço azul
  • Detalhe de Uma, duas salas (2002)
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João Carlos de Souza

João Carlos de Souza cria suas obras sempre pensando no espaço, como na instalação Esculpindo o espaço azul, em que cria, com linhas douradas, outro espaço dentro da área de sua exposição com chão e paredes pintadas de azul. O artista seguiu sua pesquisa com a série Espaço – luz – escultura, na qual constrói espaços com luzes. Em 2005, participou da exposição coletiva Tripé, no Sesc Pompeia, em São Paulo, e, em 2007, ficou em cartaz com individual na Galeria Homero Massena, em Vitória, entre outras.

Marcelo Monzani

Esculpir o espaço. A definição pode causar um certo estranhamento ou passar por uma descrição imprecisa da obra que se apresenta ao visitante. Um ambiente impregnado pelo azul, de linhas tencionadas, formando geometrias impressas no vazio que invadem a constelação, Esculpindo o espaço azul.

Fortemente influenciado pelas estéticas construtivas, o artista desenvolve suas pesquisas desde o inicio de 1990, elaborando propostas contaminadas por variadas técnicas, sem, no entanto, assumi-las como referencial inconteste de suas armações. O desenho, a pintura, a escultura e o objeto são fontes investigativas, que se cruzam, contaminando características consagradas da arte moderna, rompendo fronteiras formais - impostas por escolas e movimentos - e construindo, por meio de suas “esculturas de armar”, a sua poética, sem cair em reducionismos e dogmas.

Se por um lado o artista elimina o cubo branco, espaço de contemplação por excelência, por outro, elege o azul com o mesmo propósito, estabelecendo um elo de ligação entre obra, espaço e público. E azul, para que invada os sentidos, azul ativo, objeto de sensibilização. O artista determina a direção frontal, lateral e o campo de visão do espectador. Assim, impedindo a circulação pelas formas espaciais, aguçando nossos sentidos ópticos - que estabelecem novos contornos e formas geométricas -, completando os vazios e rompendo com os limites da percepção espacial e cromática ele nos faz “esculpir” com os olhos.

Economia de formas, o trabalho joga com o duplo sentido dos materiais empregados na composição, os fios dourados sustentados pelo nylon, vistos a distância, causam a ilusão de estar diante de rígidas estruturas metálicas que se agrupam, soltas no espaço. A bidimensionalidade aparente das formas - seu desenho e estrutura planar - está impregnada de uma tridimensionalidade latente. Sua expressão, um campo de projeções geométricas, é configuração estética para ver, ser e sonhar.  
  • Realização: