Sheila Mann Hara

Beirute/Líbano, 1954

  • Pattern nº 8 (2002)
    tecido estampado
Small_arrow_left Small_arrow_right

Sheila Mann Hara

Na instalação Pattern nº 8, Sheila Mann Hara expandiu a estampa de uma pintura a óleo, que remetia ao formalismo geométrico de Mondrian, para um ambiente de sala simulada. Estampou forros de cadeiras, puffs, chão, parede e cortina. A artista já participou de exposições coletivas em Zurique, Düsseldorf e Paris. Em 2000, fez parte do projeto Casa blindada, numa casa abandonada na cidade de São Paulo e, em 2010, realizou a performance culinária Nossas diferenças não podem superar nossas semelhanças na Pinacoteca do Estado de São Paulo. 

Jantando (com) Mondrian

Juliana Monachesi

A artista confere significado ao uso das coordenadas horizontal e vertical (coletivo e individual; público e privado). Ela formata esse esquema em qualquer superfície, o que sugere tratar-se de uma estrutura expansiva ao infinito. Sua trama de relações, entretanto, não tem por objetivo uma harmonia dinâmica: ao esmaecer contornos, ao parodiar a rigidez, ao devolver a textura ao plano, a obra visa claramente a desarmonia.

Desarmonia do legado moderno, bem entendido. Na instalação de Sheila Mann Hara, público e privado estão imiscuídos e a privacidade acabou. Em uma experiência anterior (Casa Blindada, 2000) as linhas vermelhas e pretas circunscrevendo quadrados brancos eram fitas auto-adesivas sobre azulejo de cozinha. Na obra feita para a Temporada de Projetos, uma pintura serviu como matriz para uma estampa que, aplicada, serviu de forro para cadeiras, puffs, chão e parede, além de arremedar-se em cortina.

A transposição de um vocabulário conhecido da história da arte para suportes pouco nobres (se comparados à capacidade de transcendência imanente à tela branca) não se trata, aqui, de engajamento produtivista para transformar arte em utilitário ou arte em vida. Basta saber que a instalação não é para ser adentrada. 

O grande nó das amarrações teóricas deste trabalho reside na tela pregada à parede dentro do espaço simulado. Lá está, camuflado pela cena, um óleo sobre tela à la Mondrian. O que a artista quer nos dizer com isso? Que tudo se equivale? Que a arte moderna é o kitsch de hoje? Desvende o nó, se quiser.
  • Realização: