Marcius Galan

Indianópolis/EUA, 1972

  • Desenhos (2001)
    borracha, grafite e mesa de madeira
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Marcius Galan

Marcius Galan transforma o processo na própria obra, como em Desenhos, em que uma montanha construída de restos de borracha de seus trabalhos apagados expressa sua tentativa de tentar voltar ao desenho ideal. Em 2009, realizou exposição individual na Galeria Pedro Cera, em Lisboa, e participou de diversas coletivas, entre elas, o Panorama da arte brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2008, e Dimensões variáveis, no Centro Cultural São Paulo, em 2010.

Kiki Mazzucchelli

Há a base que aqui está não para sustentar uma escultura, mas é apresentada como o próprio trabalho de arte. Na parte superior, como se algum sólido tivesse repousado ali durante um considerável espaço de tempo e impresso a marca de seu peso, as depressões que marcam a superfície fazem com que seja impossível que este objeto cumpra sua função original. Mas neste caso não devemos nos referir apenas ao paradoxo entre forma e função: ao operarmos no campo da arte, temos necessariamente que considerar os significados históricos, conceituais, sociais com que esse objeto em particular está carregado.

Da mesma maneira, Retrato e Paisagem aparecem como uma demonstração dos formatos clássicos da pintura e fotografia. A superfície velada é o resultado de uma falha no processo fotográfico que não permite que a imagem se fixe no papel. A própria ideia de representação passa a se articular na direção oposta àquela do cânone tradicional: já não é mais janela, mas torna-se espelho.

Como os grãos de areia que escorrem numa ampulheta, os minúsculos pedaços de borracha sobre a mesa evocam a ideia do tempo depreendido em uma tarefa específica, produto da obsessiva e incansável sucessão de tentativas e erros. Como produzir um trabalho de arte? 

Sem uma localização precisa no tempo e no espaço, produto de um esforço que poderia durar para sempre e vir a acumular toneladas de resíduos, a banal montanha é o testemunho de uma busca incessante pelo intangível.

RUÍDO BRANCO - ruído contendo diferentes frequências com a mesma intensidade

1. Tipos de Branco: o branco asséptico de um hospital, o branco vestido da noiva, o branco anglo-saxão protestante, o cubo branco.

2. A violência inerente à cor branca: a suposta neutralidade, a negação de qualquer interferência externa, o extermínio de tudo aquilo que ameaça sua imaculez.

3. O branco como sistema absoluto.

4. A impossibilidade de um branco: diz-se que os esquimós podem enxergar 17 tonalidades de branco.

5. A impossibilidade de um sistema absoluto.
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