Edouard Fraipont

São Paulo/SP, 1972

  • Limiar (1999)
    fotografia
  • Reflexividade (1999)
    fotografia
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Edouard Fraipont

Formado em cinema, Edouard Fraipont trabalhou inicialmente como foto-documentalista. Nas artes plásticas, suas fotos deixam de apresentar o mundo visível. As obras expostas na Temporada de Projetos não permitem reconhecer os limites das figuras, que se confundem com o espaço cromático dos espaços interiores. Em 2010, o artista fica em cartaz com a exposição individual Estudo de figuras humanas/tributo a Francis Bacon, no Centro Brasileiro  Britânico, São Paulo, e participa da coletiva Cadavre exquis, no Centro Cultural São Paulo. Foi contemplado com as bolsas Fundarpe, em 2004, e do Artist Links, pelo British Council, em 2007.

Kiki Mazzucchelli

As imagens produzidas por Edouard Fraipont apresentam um universo que não se propõe como registro do mundo visível, como "prova do real". Suas figuras são reconhecíveis, mas não identificáveis em sua singularidade e seus limites confundem-se com o espaço cromático que as envolve. Num movimento que parte do interior para o exterior, Fraipont projeta um mundo mental em seu trabalho para colocar em questão o homem e sua existência.

Mas a imagem fotográfica é sobretudo o registro da luz que incide sobre o negativo, o congelamento do tempo e constituição de uma memória. Num processo que envolve a construção da cena a ser fotografada, o trabalho de Fraipont documenta memórias de vontades, angústias ou utopias que se transformam então em luz/cor.

O corpo humano aparece em grande parte das imagens. Às vezes reduz-se a um espectro: consumida pelo espaço, sua matéria se contrai, assinalando uma dificuldade de integração entre sujeito e mundo. Em outros momentos emana uma luz etérea. Um corpo fluido, mas impossível, pois só poderia ser concebido como imagem fotográfica.

Os trabalhos apresentados no Paço das Artes evidenciam um interesse em deslocar o enfoque do corpo para o que lhe é exterior. Em Limiar, o que identificamos é o próprio momento de transição. O olhar se volta para o mundo a seu redor, mas a luz está ainda do lado de fora. Quando a paisagem enfim aparece, tem um caráter contido, que remete a uma interioridade ao invés de sugerir um espaço que se estende ao infinito, uma melancolia por serem registros de algo que nunca aconteceu.

Em seu conjunto, as fotografias de Fraipont apontam menos para um apagamento, uma negatividade do ser, que para a persistência de um artista determinado a encontrar expressões para questionar as condições desse ser no mundo. O próprio ato de objetivar possibilidades contingentes de transcendência, através da fotografia, pressupõe um começo de realização, onde o êxito importa menos que a tenacidade na busca.
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