• Imagem da exposição “VISÃO PERIFÉRICA”, de Maíra Dietrich
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Maíra Dietrich

Maíra Dietrich nasceu em Florianópolis em 1988. Sua prática se desenvolve em escrita, desenho, instalação, som e video. É bacharel em Artes Plásticas pela UDESC, em Florianópolis, e Mestre em Fine Arts pelo KASK School of Arts em Ghent, Bélgica. Exposições individuais ESCRITO na Fundação BADESC em Florianópolis e PERIPHERAL VISION no MAP em Ghent. Exposições coletivas no Musée des Abattoirs em Toulouse, França e no Convent em Ghent, Bélgica. Participou de residências na Casa Tomada em São Paulo, Proyecto ‘Ace em Buenos Aires e AFFECT em Berlim. Colabora com a Casa do Povo desde 2015 onde desenvolveu a Oficina de Anedotas em 2017. Desde 2012 atua no meio editorial independente com o selo editorial A Missão.

Entrevista de Maíra Dietrich a Christine Mello sobre a mostra "VISÃO PERIFÉRICA".

Quando imergimos na exposição "VISÃO PERIFÉRICA", de Maíra Dietrich, sustentamos algo, a princípio, insustentável: a coexistência de espaços simultâneos por meio de uma certa ”dispersão aguçada”. Como pequenos gestos  se constituem quando submetidos a forças insustentáveis? A presente pergunta pode nos ajudar a produzir relações diante  de uma experiência como esta, que se organiza nas tensões e tessituras do indeterminado. A instalação "VISÃO PERIFÉRICA" acolhe, desse modo, procedimentos ambíguos como o de explorar algo que não se está procurando ou a edição de cenas sutis, efêmeras, imaginárias. Para tanto, Maíra Dietrich permeia o espaço com um tom pessoal, intimista, propício ao encontro com o outro. Visão Periférica é uma peça de áudio, uma mostra de slides, uma reunião de papeizinhos e pequenos poemas. Apresentados sob a qualidade de rascunho, articulam a  presença do visitante em estados perceptivos como o de estar ”fora do  foco  da  visão”. Busca oferecer, com isso, a sensação de se estar, de certa forma, descentralizado e vulnerável. Para saber mais sobre a noção de visão periférica em Maíra Dietrich, conversei com a artista.
 
Maíra Dietrich: Lembro de ter escrito sobre esse ter- mo no meu trabalho de conclusão de curso em 2011, é um livro que chama “Mais ou menos cinco meses”, aonde decidi que meu trabalho seria sobre o tempo que eu tinha até a data de entrega dele. Então, ele foi um trabalho oficialmente sem um tema e nele busquei tratar da passagem do tempo. A única certeza que eu tinha é que queria que ele comprimisse tempo dentro dele. Que pudesse ser sobre coisas que eu observava, coisas que eu ouvia, desenhos, viagens, como um aglomerado, um catalisador de pequenas coisas, e que pudessem explicar algum tipo de abordagem sobre a vida cotidiana também.

Eu comecei a pensar na visão periférica como esse fenômeno de percepção que acontece fora do foco da visão: tudo que você vê, mas, ao mesmo tempo, não está olhando, que implica uma postura ambígua em relação a quem está percebendo quem, quem está vendo e quem está sendo visto. Mas eu acho que a chave da visão periférica, como metodologia de trabalho, é, principalmente, a simultaneidade. Estou ouvindo uma coisa, estou vendo uma coisa e, ao mesmo tempo, estou ouvindo o que alguém comenta daquilo. Então, a forma como eu trabalho o áudio no espaço sugere uma negociação desses assuntos, sugere formas desses textos, palavras e sons se construírem em relação uns aos outros. Diferente do que seria o foco onde enfileiramos sentido ao ver uma coisa e depois outra e depois outra. Visão Periférica é um termo pelo qual eu tenho muito carinho, por ter encontrado nele uma chave, uma metodologia airada do meu trabalho.
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