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ARTISTAS

Alexandre Rato

André Griffo

Andrei Muller

Daniel Murgel

Dirceu Maués

Milton Marques

Vanessa De Michelis




Juliana C. Gontijo é pesquisadora e curadora independente. Doutoranda pela Universidad de Buenos Aires. Especialista em Linguagens Artísticas Combinadas pelo Instituto Universitario Nacional del Arte (Buenos Aires), graduada em Estudos Cinematográficos pela Université Sorbonne Nouvelle (Paris) e em História da Arte pela Université Le Mirail (Toulouse). Trabalhou na coordenação de exposições na Fundación PROA (Buenos Aires). Ganhou o prêmio Rede Nacional Funarte 2009 com o projeto Arte in loco, e a Bolsa de Estímulo à Produção Crítica 2013 da Funarte, com Distopias tecnológicas. É professora de Estética e Teoria da Arte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Instabilidade Estável

Juliana Gontijo

Estabilidade provisória, instabilidade permanente. A entropia, grandeza termodinâmica correspondente à variação de estados inerentes num sistema, pode ser interpretada como um princípio de desordem ao nível microscópico. 

Contempla, portanto, a dissolução da matéria e a liberação irreversível de energia no interior de um sistema, conduzindo-o a um funcionamento incoerente e instável. 

Esse conceito, reapropriado para a esfera da arte e da cultura, se contrapõe ao pensamento moderno ainda dominante, que procura incessantemente impor a ordem sobre o caos da materialidade, a fim de transcendê-la.

Esta operação de controle é igualmente outorgada aos governos, com suas leis e forças policiais. 

Porém, as manifestações sociais ocorridas de forma intensa nos últimos anos, no Brasil, na Europa e nos países árabes, deixam entrever o profundo processo de desestabilização constante do estado normalizado dos elementos – políticos, sociais, culturais – do nosso entorno. 

Percebemos, então, a coerência arbitrária e provisória que define cada época.

As propostas artísticas aqui apresentadas evidenciam-se como sinais dessas oscilações e do caos subjacentes à contínua tentativa de ordenamento e estabilização das estruturas sócio-políticas coletivas e – pensando nas micropolíticas de poder foucaultianas – individuais e subjetivas. 

Alexandre Rato, André Griffo, Andrei Müller, Daniel Murgel, Dirceu Maués, Milton Marques e Vanessa de Michelis recorrem à marginalidade como escolha política e problematizam tanto aspectos da sociedade e do indivíduo padronizado, quanto o próprio sentido atual da arte. 

Causam interferências e ruídos ao tornar manifesto um mal estar contemporâneo e ao escolher assumir-se “sem lugar”. 

Mostram o não acabado, o informe, a sujeira, o barulho, o híbrido, o inclassificável. 

Fogem da fetichização tradicional do objeto artístico e do demarcar de suas fronteiras, a fim de imiscuir-se por outros terrenos, estabelecendo na prática uma relação ampliada entre arte, cultura e comunidade. 

Manifesta-se, portanto, uma condição singular da contemporaneidade em sentir seu próprio tempo por meio “de uma dissociação e um anacronismo.

(...) Aqueles que procuram pensar a contemporaneidade puderam fazê-lo apenas com a condição de cindi-la em mais tempos, de introduzir no tempo uma essencial desomogeneidade” (Agamben, Giorgio. O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Editora Argos – Unochapecó, 2009). ~

O sentimento contemporâneo está, pois, nessa inadequação ao presente e na percepção da coerência arbitrária e provisória que define cada época, percebendo a impermanência e a instabilidade entre coisas e ideias.
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